terça-feira, 10 de julho de 2007

crónica

Passeando pela praia relembras o tempo perdido da tua infância. Começas a pensar em todas as pessoas que abandonas-te, em todos a quem maltratas-te. Durante a tua adolescência andavas fugida dos teus sentimentos tentando não lembrar tudo aquilo porque passas-te. Agora olhas-te ao espelho e vês uma completa desconhecida, completamente diferente daquilo que querias ser. Olhas para a tua vida e só queres fugir da tua casa, da tua vida. Será possível que o mundo se tenha tornado num sítio tão escuro e tão deprimente???? A tua cabeça trabalha 200 vezes mais depressa do que a das pessoas ditas "normais" será verdade ou impressão tua? Não consegues descobrir pois não? Tentas descobrir a resposta nos olhos de todas as pessoas com quem te cruzas. Apesar de te verem como uma pessoa crua e sem sentimentos só tu sabes o que sentes. Não és aquilo que as pessoas pensam mas também não queres que elas descubram o que tu realmente és. Passas pela vida simplesmente por passar, parece que a tua alma navega muito mais longe do que o teu corpo. Enquanto as pessoas pensam numa coisa tu pensas em milhões delas ao mesmo tempo. Procuras compreensão... Mas contrarias sempre tudo aquilo que te dizem. Nem ligas. Sofres por dentro, a tua alma simplesmente se dilacera enquanto passa por todas as encruzilhadas da vida. Os homens, as amigas, a família tudo passa por ti sem que isso te faça a mínima diferença. Pelo menos na alma! só o teu corpo sofre por tudo aquilo que passas. Nunca pensaste que tudo se pudesse tornar assim. Ontem à noite foi tão bom não foi? Tu nas mãos do teu amante e enquanto ele se satisfazia tu apenas fingias. Finges tão bem adoras fingir. Adoras que as pessoas pensem que estão no paraíso e que tu sejas a razão disso. Nem que tu saibas que da tua parte é tudo apenas um teatro. Todas as atitudes que uma pessoa possa ter tu já as sabes de antemão. Já sabes tudo o que vai acontecer e fazes com que tudo pareça por acaso. E as pessoas adoram e dizem que tu és a melhor. Um agradecimento ingrato que não tem razão de acontecer. Deslizas por todo o lado e mandas sorrisos. Falsidade de merda que tu tens. Mesmo assim dormes sempre bem, sem te preocupares com as pessoas que possas aleijar. Passas os dias à espera dele. Mas ele nunca chega. Pensas tu. Não sabes se já chegou e o deixaste ir embora. O que pela tua maneira de ser deve ser o mais provável. Diz-me quando vais começar a preocupar-te com as pessoas que estão á tua volta. Será que não compreendes que assim só vais magoar ainda mais pessoas e que um dia irás ficar completamente sozinha? As tuas mentiras não duraram para sempre e um dia tudo se vai acabar por descobrir. Choras de desprezo por todo o ser humano que está á tua volta. Esperas um dia encontrar a única pessoa a quem não terás de mentir e poderás ser tu própria. Aquela que te compreende apenas por olhar nos teus olhos. Muitos já disseram que o conseguiam fazer mas nunca encontraste alguém, que tivesses a certeza que o conseguisse. Apenas meia dúzia de falhados para quem tu eras o mundo. Pobres iludidos que acabaram por saber a verdade da pior maneira. Dizes que nunca aleijaste ninguém de propósito mas sabes tão bem como eu que isso é mentira. Tu vives para manipular as outras pessoas. E só estás bem a fazer isso. Não sei porque nunca o admitiste.

Rita Amaral 19/12/05

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